A Finep e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) selecionaram a Monashees Gestão de Investimentos para administrar um fundo de investimento em participações voltado a startups brasileiras intensivas em inteligência artificial. A iniciativa, divulgada em 14 de setembro de 2026, tem potencial de mobilizar até R$ 500 milhões para empresas que utilizam a tecnologia como parte central de seus modelos de negócios.
O anúncio foi feito pela Finep, em parceria com o BNDES. O fundo está inserido no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e pretende ampliar o acesso de empresas nacionais a capital para pesquisa, desenvolvimento, infraestrutura computacional e contratação de profissionais especializados.
Fundo terá participação de Finep e BNDESPAR
A estrutura prevê a participação de instituições públicas como capital-âncora, mecanismo utilizado para atrair outros investidores e ampliar o volume disponível para os negócios apoiados. A BNDESPAR poderá comprometer até R$ 125 milhões, enquanto a Finep poderá aportar até R$ 80 milhões com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
O valor total projetado para o fundo, de até R$ 500 milhões, depende da capacidade de captação junto a investidores públicos e privados. Dessa forma, os limites anunciados para Finep e BNDESPAR representam compromissos potenciais dentro da estrutura, e não a confirmação de que todos os recursos já foram desembolsados ou de que o patrimônio total já esteja constituído.
De acordo com o BNDES, a seleção da Monashees ainda precisa avançar por etapas de análise gerencial e jurídica. O processo inclui diligências, negociação do regulamento do fundo e avaliação das condições contratuais antes da formalização definitiva.
Startups precisam ter a IA como núcleo do negócio
O foco da iniciativa não está em empresas que apenas adotam ferramentas de inteligência artificial para melhorar processos internos. A proposta é apoiar startups nas quais a tecnologia tenha papel central na geração de produtos, serviços ou receitas. Isso inclui negócios cuja expansão dependa de dados, modelos de inteligência artificial, capacidade computacional e equipes técnicas qualificadas.
Esse recorte busca atender às características específicas de empresas de tecnologia que, muitas vezes, precisam realizar investimentos elevados antes de alcançar escala comercial. O capital do fundo poderá contribuir para o desenvolvimento de soluções e para o crescimento das companhias, conforme os objetivos estabelecidos na chamada pública.
O edital da seleção foi publicado originalmente em 9 de abril de 2026 pela Finep. A documentação também apresenta as regras da chamada para escolha da gestora responsável pelo fundo de investimento em participações dedicado à inteligência artificial.
Seleção não garante aporte imediato
A escolha da Monashees representa uma etapa relevante, mas não significa que os aportes serão realizados automaticamente. Conforme as informações divulgadas pelo BNDES, a chamada pública não obriga os cotistas-âncora a efetivar os investimentos. A conclusão dependerá da análise dos documentos, das negociações e das condições finais do fundo.
Essa distinção é importante porque o anúncio trata da seleção da gestora, e não da distribuição imediata dos recursos às startups. Somente após a conclusão das fases previstas será possível definir a estrutura final, os compromissos efetivos dos cotistas e as condições para a entrada das empresas no portfólio.
Objetivo é fortalecer empresas brasileiras de IA
A expectativa declarada pelas instituições é que o fundo ajude a ampliar a capacidade de crescimento e faturamento das startups brasileiras, além de favorecer sua expansão internacional. A estratégia também está relacionada ao esforço de transformar a inteligência artificial em uma atividade empresarial escalável no país, conectando financiamento, desenvolvimento tecnológico e acesso a mercados.
Na prática, o mecanismo combina recursos públicos e gestão privada para enfrentar uma das principais dificuldades de empresas emergentes de inteligência artificial: a necessidade de investir em tecnologia e talento antes de obter receitas em maior escala. Os possíveis efeitos sobre as startups, contudo, ainda são objetivos da iniciativa, e não resultados já alcançados.
A seleção da Monashees ocorre em um momento de ampliação das políticas brasileiras voltadas à inteligência artificial. Ao integrar a agenda do PBIA com instrumentos de mercado de capitais, Finep e BNDES buscam criar condições para que empresas nacionais desenvolvam soluções próprias e disputem espaço em mercados mais amplos. O sucesso da iniciativa dependerá das próximas etapas de estruturação e da efetiva captação dos recursos previstos.
