A Samsung anunciou a assinatura de contratos com as operadoras sul-coreanas KT e SK Telecom para participar de projetos de AI RAN, conceito que combina inteligência artificial e redes de acesso por rádio. As iniciativas serão conduzidas dentro do programa Hyper AI Network, lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da Informação da Coreia do Sul.
Os testes estão previstos para começar em outubro de 2026 e serão realizados com redes privadas 5G standalone em ambientes industriais. Entre os locais considerados estão estaleiros e instalações petroquímicas, setores nos quais conectividade, automação e capacidade de adaptação da infraestrutura podem influenciar diretamente as operações.
De acordo com a Samsung Global Newsroom, os contratos colocam a fabricante na frente de projetos sul-coreanos voltados à avaliação de redes de acesso por rádio apoiadas por inteligência artificial. A proposta não representa, neste momento, uma implementação comercial ampla, mas uma etapa de validação tecnológica e produção de conhecimento.
O que é AI RAN
AI RAN é a sigla em inglês para redes de acesso por rádio com inteligência artificial. Essa camada reúne os equipamentos e sistemas responsáveis por conectar dispositivos à rede móvel, permitindo que a comunicação entre usuários, máquinas e aplicações ocorra por meio da infraestrutura de rádio.
Nas redes móveis tradicionais, muitas tarefas de operação dependem de configurações e regras previamente estabelecidas. A incorporação de inteligência artificial busca tornar parte desse funcionamento mais autônoma, eficiente e adaptável, permitindo analisar as condições da rede e apoiar decisões relacionadas à utilização dos recursos disponíveis.
Na prática, os projetos podem ajudar a investigar como uma rede privada 5G reage a diferentes demandas dentro de uma fábrica, de um estaleiro ou de uma unidade petroquímica. A intenção é avaliar a capacidade de a infraestrutura se ajustar a ambientes produtivos nos quais máquinas, sensores e outros dispositivos conectados precisam trocar informações de maneira contínua.
Por que os testes serão feitos em redes privadas 5G
As redes privadas 5G são voltadas a ambientes específicos, em vez de atenderem indistintamente a grandes áreas públicas. Essa característica permite que organizações testem aplicações de conectividade dentro de instalações industriais, com uma estrutura direcionada às necessidades de seus processos.
O uso da tecnologia standalone também é relevante porque se baseia em uma arquitetura 5G própria, sem depender da estrutura central de gerações anteriores. No programa sul-coreano, essa configuração servirá como base para observar o comportamento de recursos de inteligência artificial aplicados à operação das redes.
Estaleiros e instalações petroquímicas foram escolhidos como ambientes de experimentação por concentrarem operações industriais complexas. Nesses espaços, a conectividade pode servir de suporte para a comunicação entre equipamentos e sistemas, enquanto a inteligência artificial é avaliada como recurso capaz de tornar a rede mais responsiva às condições do local.
Qual será o papel da Samsung nos projetos
A Samsung participará dos trabalhos em conjunto com a KT e a SK Telecom, duas das principais operadoras de telecomunicações da Coreia do Sul. A fabricante informou que os experimentos também devem testar aplicações relacionadas ao conceito de “IA física”, aproximando recursos inteligentes da operação de máquinas, redes e ambientes produtivos.
O foco, portanto, não está apenas em utilizar inteligência artificial para criar ou analisar conteúdos digitais. A iniciativa procura verificar como essa tecnologia pode ser incorporada à infraestrutura que sustenta dispositivos conectados e processos industriais, com possíveis efeitos sobre automação e gerenciamento de redes.
Os resultados dos testes deverão gerar dados para o desenvolvimento de futuras redes 6G baseadas em software e automação. Essa relação com a próxima geração de conectividade ainda está no campo da pesquisa e da preparação tecnológica, mas indica uma direção: redes móveis mais capazes de interpretar o ambiente e ajustar seu funcionamento com menor intervenção manual.
O que os experimentos indicam sobre o futuro das redes
O programa Hyper AI Network mostra que a disputa por inovação em telecomunicações não se limita à velocidade de transmissão. A capacidade de operar redes com mais autonomia, eficiência e adaptação passa a ser tratada como parte importante da evolução da infraestrutura móvel.
Para a indústria, essa mudança pode ampliar o interesse por redes privadas capazes de atender operações específicas. Ainda assim, os projetos da Samsung, da KT e da SK Telecom devem ser entendidos como testes controlados. A divulgação oficial descreve uma fase de avaliação e aprendizado, sem anunciar a adoção definitiva de AI RAN em toda a infraestrutura de telecomunicações sul-coreana.
O início previsto para outubro de 2026 será o próximo passo para observar como a tecnologia se comporta em situações industriais concretas. A partir desses experimentos, fabricantes, operadoras e autoridades poderão reunir informações sobre os benefícios, os limites e os requisitos necessários para levar redes com inteligência artificial a aplicações mais amplas.
