Expansão da tecnologia chega a áreas rurais e cidades pequenas, mas custo dos aparelhos ainda trava adoção em massa
O Brasil vive uma das transformações mais rápidas de sua história recente em conectividade, e os números comprovam isso. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações, a cobertura do 5G já ultrapassa 63% do território nacional, superando com folga a meta de 57,67% que só deveria ser cumprida em 2027, mais de três anos antes do previsto originalmente. O avanço combina investimentos bilionários das operadoras com ações do governo federal, como a liberação antecipada de faixas de frequência, e já leva a tecnologia para além das grandes capitais, chegando a cidades pequenas e áreas rurais que historicamente ficavam de fora das primeiras ondas de modernização digital. Para quem usa internet móvel no dia a dia, entender esse avanço ajuda a saber o que esperar da qualidade do sinal nos próximos meses e por que, mesmo com tanta cobertura, nem todo mundo já sente na prática essa mudança.
Como o Brasil superou as próprias metas de expansão do 5G
Desde o leilão de frequências realizado pela Anatel em 2021, as operadoras brasileiras vêm investindo pesado na instalação de antenas e na modernização de redes móveis. Segundo a Conexis Brasil Digital, entidade que reúne as principais prestadoras de telecomunicações do país, as empresas já ultrapassaram em 100% as metas de cobertura estabelecidas para julho de 2025 e avançaram 60% nos compromissos previstos para este ano. Hoje, o país conta com mais de 52 mil estações rádio base de 5G licenciadas, distribuídas entre oito prestadoras, e todas as cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes já contam com pelo menos uma operadora oferecendo a tecnologia.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, tem repetido que o país vive a maior transformação de conectividade de sua história, e a meta atual do governo é levar o 5G a mais de 2,2 mil cidades até o fim deste ano, incluindo mais de 800 municípios com menos de 30 mil habitantes. Parte desse avanço depende de programas como o Projeto Expansão de Redes, conduzido em parceria com o BNDES, que prevê investimento de R$ 1,4 bilhão para levar fibra óptica e redes móveis a 552 municípios distribuídos por 17 estados. Há ainda iniciativas específicas para regiões mais isoladas, como o Programa Norte Conectado, que instala milhares de quilômetros de cabos de fibra óptica subaquática e terrestre para conectar cidades da Amazônia.
Por que a adoção da tecnologia ainda é mais lenta do que a cobertura sugere
Apesar da cobertura de sinal avançar em ritmo acelerado, a quantidade de pessoas que efetivamente utilizam o 5G no dia a dia ainda é bem menor do que a área coberta pela tecnologia. Dados da Anatel mostram que, embora o sinal alcance mais de 60% da população brasileira, apenas cerca de 21,5% dos acessos móveis do país realmente utilizam a rede 5G, uma diferença explicada principalmente pelo custo elevado dos aparelhos compatíveis com essa tecnologia, ainda considerados caros para boa parte da população. Some se a isso o que especialistas chamam de custo Brasil, conjunto de tributos e taxas que encarecem tanto os smartphones quanto os planos de dados no país.
Outro fator relevante é a desigualdade regional na adoção da tecnologia. Estados com maior poder aquisitivo, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, concentram a maior parte do crescimento de acessos 5G, enquanto regiões menos favorecidas economicamente seguem dependendo majoritariamente do 4G, que ainda é a principal tecnologia de internet móvel para a maioria dos brasileiros. Menos de 15% das áreas rurais do país têm acesso ao sinal 5G atualmente, o que evidencia que a inclusão digital plena ainda é um desafio mesmo com o avanço acelerado da infraestrutura.
O que o avanço do 5G representa para os próximos anos
Estudos de consultorias como a Omdia projetam um impacto de até 1,2 trilhão de dólares na economia brasileira até 2035 graças à consolidação do 5G, beneficiando setores como indústria, agricultura de precisão, telemedicina e logística, que dependem cada vez mais de conexões rápidas e de baixa latência para funcionar de forma eficiente. O Brasil também já figura entre os países com maior velocidade de download em redes 5G do mundo, segundo levantamentos da Opensignal, o que reforça a competitividade do país nesse setor mesmo diante dos desafios de adoção em massa.
Para o usuário comum, o recado prático é que a cobertura tende a continuar se expandindo rapidamente nos próximos meses, especialmente em cidades de médio porte que ainda não haviam recebido a tecnologia. Já a decisão de migrar efetivamente para um plano e um aparelho 5G continua dependendo de uma equação pessoal entre custo e benefício, que tende a ficar mais favorável ao consumidor à medida que os preços dos dispositivos compatíveis caem com o passar do tempo.
Fontes consultadas: Agência Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/regulacao-para-ia-sera-flexivel-e-tera-niveis-de-risco-diz-duriganTELETIME News: https://teletime.com.br/03/06/2026/panorama-regulatorio-inteligencia-artificial/Capital Aberto: https://legislacaoemercados.capitalaberto.com.br/brasil-caminha-na-regulacao-da-inteligencia-artificial/
