Assim como destaca Rolando Bonaccorsi, entusiasta, entre ciclistas de estrada, poucas sensações são tão frustrantes quanto perceber uma queda abrupta de rendimento quando as pernas aparentemente ainda possuem capacidade para continuar. Em muitos casos, o problema não está no condicionamento físico, na estratégia de treino ou na preparação psicológica, mas sim em um fator frequentemente negligenciado: a nutrição durante o esforço.
Compreender os erros mais comuns nesse processo pode representar a diferença entre sustentar potência por horas ou enfrentar uma perda precoce de rendimento. Leia mais a seguir!
Por que muitos ciclistas quebram antes do limite físico?
Existe uma tendência natural de associar a queda de desempenho exclusivamente à fadiga muscular ou cardiovascular. No entanto, grande parte dos episódios conhecidos entre ciclistas como “quebra” ocorre antes que o organismo atinja seus limites fisiológicos máximos. O principal responsável costuma ser o esgotamento progressivo das reservas energéticas disponíveis durante o exercício prolongado.
O corpo humano possui capacidade limitada de armazenamento de glicogênio, principal combustível utilizado em esforços de média e alta intensidade. Quando o consumo energético supera a reposição realizada durante a atividade, inicia-se um processo gradual de redução de potência, aumento da percepção de esforço e comprometimento da coordenação motora. O atleta continua pedalando, mas deixa de produzir a mesma eficiência.
Segundo Rolando Bonaccorsi, esse fenômeno se torna ainda mais relevante em provas longas, granfondos e treinos de endurance superiores a três horas. O problema é que a perda de desempenho costuma se manifestar quando o déficit energético já está avançado, tornando a recuperação durante a própria atividade muito mais difícil. Por isso, atletas experientes frequentemente afirmam que a nutrição precisa ser planejada antes que a sensação de fome ou fadiga apareça.
Qual é o erro nutricional mais comum em provas longas?
Entre os diversos equívocos observados na prática esportiva, talvez o mais frequente seja acreditar que a alimentação deve ocorrer apenas quando surgem sinais claros de necessidade. Muitos ciclistas aguardam o aparecimento da fome, da queda de potência ou da sensação de fraqueza para iniciar a reposição energética, quando o cenário ideal exige exatamente o contrário.
A nutrição esportiva moderna trabalha com o conceito de fornecimento contínuo de energia. Conforme Rolando Bonaccorsi, isso significa que carboidratos, líquidos e eletrólitos devem ser consumidos de forma planejada e regular, acompanhando a demanda fisiológica do esforço. Quando a reposição é realizada tardiamente, o organismo já iniciou mecanismos de economia energética que prejudicam o desempenho global. Esse processo pode comprometer a potência sustentada, aumentar a percepção de fadiga e dificultar a recuperação durante a própria atividade, tornando a estratégia nutricional um dos fatores mais relevantes para a manutenção da performance em provas e treinos de longa duração.
Como a ciência da nutrição mudou o ciclismo de endurance?
Nos últimos anos, a evolução dos estudos sobre metabolismo esportivo alterou profundamente a forma como ciclistas profissionais e amadores encaram a alimentação durante esforços prolongados. Estratégias que antes priorizavam consumo moderado de carboidratos deram lugar a protocolos mais agressivos e individualizados, capazes de sustentar níveis elevados de potência por períodos mais longos.
Atualmente, atletas de alto rendimento frequentemente trabalham com ingestões superiores a 90 gramas de carboidratos por hora, utilizando combinações específicas de glicose e frutose para otimizar a absorção intestinal. De acordo com Rolando Bonaccorsi, essa abordagem permite preservar reservas corporais e manter maior estabilidade energética durante toda a atividade.
Ao mesmo tempo, tecnologias de monitoramento fisiológico, medidores de potência e plataformas de análise de desempenho tornaram possível correlacionar alimentação e rendimento com precisão muito superior à disponível há alguns anos. A nutrição deixou de ser baseada apenas em percepção subjetiva e passou a ser tratada como uma variável estratégica da performance esportiva.
